História & Conceito
Toda a gente na cidade sabe que não se vai à Escola Primária do Vale.
Não há uma razão oficial. A câmara diz que o edifício é perigoso — estrutura comprometida, risco de colapso. Mas as crianças crescem a ouvir outra coisa. Crescem a ouvir o que os pais sussurram quando pensam que ninguém está à escuta: que o incêndio não foi um acidente. Que naquela noite havia alguém dentro da escola que não devia lá estar. Que as chamas começaram em sítios que não fazem sentido — ao mesmo tempo, em divisões diferentes, sem ligação entre si.
Que havia círculos no chão.
Morreram alunos. Professores. Funcionários. O número exato nunca foi confirmado — os registos da escola desapareceram no incêndio, ou pelo menos é o que dizem. O que ficou foi o edifício, enegrecido mas de pé, como se algo lá dentro recusasse cair.
Há décadas que ninguém entra.
O vosso grupo decidiu que essa tradição estava para acabar.
Foi uma aposta. Uma brincadeira. A ideia parecia simples na segurança de uma sala bem iluminada — entrar, tirar umas fotos, sair. Contar a história na escola durante semanas.
Mas quando a porta fechou atrás de vocês, o telemóvel deixou de ter sinal.
E do fundo do corredor veio um som que não devia existir num edifício vazio há trinta anos.
O toque de uma campainha.
Agora estão dentro. Dez de vocês, nos corredores frios de uma escola que parece lembrar-se de quem aqui viveu — e de quem aqui morreu. As salas de aula têm marcas que não são de fogo. Os quadros têm escrita que não é de giz. E há qualquer coisa neste lugar que não quer que saiam sem antes perceberem o que realmente aconteceu naquela noite.
Não é um fantasma. É uma maldição — antiga, paciente, e muito específica no que precisa para terminar.
Têm sessenta minutos para descobrir a verdade por detrás do incêndio, desvendar os rituais que alguém tentou completar naquela noite, e quebrar o que foi invocado antes que se complete agora.
A campainha já tocou uma vez.
Não deixem que toque de novo.
