Beast of Reincarnation chegou finalmente às lojas digitais esta terça-feira, dia 4 de agosto, e a Game Freak não podia ter escolhido um lançamento mais polarizador. Disponível para PS5, Xbox Series X|S e PC, o novo título da equipa por detrás de Pokémon está a gerar reações tão variadas como os próprios tipos de monstros que a empresa habituou a criar.
Uma estreia com notas divididas
No Metacritic, o jogo acumula uma média de 73% na PS5 (com base em 52 análises) e 72% no PC (27 críticas). Já no OpenCritic, a pontuação sobe ligeiramente para 76%, mas com 44 opiniões contabilizadas. Números que, claro, ainda podem oscilar — afinal, a maré das avaliações costuma acalmar (ou piorar) com o tempo.
O que salta à vista é a falta de consenso. Enquanto alguns críticos destacam a narrativa longa e envolvente, outros apontam o dedo a uma fórmula que se arrasta como um grind mal otimizado. A atmosfera, essa, parece ser o ponto forte unânime: um mundo rico, com chefes memoráveis e uma direção artística que, pelo menos, não desilude.
Elogios e frustrações em doses iguais
As análises mais positivas, como a do GamesRadar+ (4,5/5), celebram a ambição da Game Freak em sair da sua zona de conforto. Afinal, não é todos os dias que vemos a equipa a arriscar num género tão distinto do seu core business. O Dualshockers (8/10) e o PlayStation Lifestyle (8/10) também aplaudem a ousadia, embora reconheçam que o jogo ainda tem margem para melhorar.
Do outro lado da barricada, as críticas são impiedosas. O Giant Bomb (3,5/5) e a VGC (3/5) não poupam nas palavras: problemas técnicos graves, especialmente nas versões para Xbox Series e PC, arruínam a experiência. E não são só os bugs — a repetitividade da jogabilidade é outro calcanhar de Aquiles, com alguns críticos a compararem o título a um farming simulator disfarçado de action-RPG.
"A Game Freak tinha tudo para acertar em cheio, mas Beast of Reincarnation parece um diamante em bruto — bonito à distância, mas cheio de arestas quando o apanhamos nas mãos." — Eurogamer (3/5)
Uma aposta arriscada, mas necessária?
É inegável que a Game Freak precisava de provar que consegue inovar para além dos Pokémon. E, sejamos honestos, até que não correu mal de todo. O jogo tem ideias interessantes, uma história que agarra e uma identidade visual que se destaca num mercado saturado de títulos genéricos.
Mas, como qualquer aposta fora da zona de conforto, os riscos são altos. A malta que esperava um Pokémon com espadas e magia vai ficar desiludida — este é um projeto completamente diferente, com os seus próprios méritos e defeitos. O problema é que, quando os defeitos incluem frame drops constantes e uma jogabilidade que se arrasta, até os méritos ficam difíceis de defender.
O veredito? Depende do que procuras
Se és fã de action-RPG com uma narrativa forte e não te importas de aturar alguns bugs pelo caminho, Beast of Reincarnation pode valer a pena. Mas se esperavas um jogo polido e fluido, talvez seja melhor esperar por uma atualização — ou por uma promoção.
Uma coisa é certa: a Game Freak não vai ficar parada. Depois deste lançamento, a pergunta que fica é: será que a equipa aprendeu com os erros, ou vai voltar a brincar em segurança com os seus monstros de bolso? Só o tempo (e os próximos jogos) o dirão.


