Há dois anos, Clair Obscur: Expedition 33 não passava de mais um projeto indie com ambições modestas. A Sandfall Interactive, estúdio por detrás do título, procurava orientação para se destacar num mercado saturado. E quem melhor para pedir conselhos do que Shuhei Yoshida, ex-presidente dos estúdios internos da PlayStation e figura respeitada no meio?
O conselho que podia ter mudado tudo
Durante a Busan Indie Connect, na Coreia do Sul, Yoshida revelou um detalhe curioso. Após experimentar uma demo do jogo e conversar com a Kepler Interactive, a editora responsável, deixou um aviso claro: evitar o rótulo de RPG por turnos. Na altura, o veterano da indústria acreditava que o género estava "desatualizado" aos olhos dos jogadores, arriscando-se a afastar potenciais fãs só pela associação.
"Dois anos antes do lançamento, Yoshida achava que o rótulo podia condenar o jogo ao esquecimento."
Era uma opinião fundamentada, claro. Yoshida conhece o mercado como poucos. Mas, felizmente para nós, a equipa da Sandfall não seguiu o conselho à risca. Guillaume Broche, diretor criativo do jogo, manteve a descrição intacta — e o resultado não podia ser mais irónico.
O tiro que saiu pela culatra (e salvou um género)
Em vez de afundar o jogo, o rótulo de RPG por turnos tornou-se um dos seus maiores trunfos. Clair Obscur: Expedition 33 não só conquistou a crítica como ajudou a reavivar o interesse pelo género. Jogadores e analistas apontam-no como um dos responsáveis por trazer frescura a um estilo que muitos consideravam morto.
O que isto nos diz? Que até os gigantes da indústria se enganam. Yoshida não estava errado ao alertar para os riscos — o mercado era cético. Mas a equipa da Sandfall provou que, por vezes, o melhor é confiar no instinto. E, convenhamos, ainda bem que o fizeram.
Uma lição para a indústria
Esta história é um lembrete valioso: rótulos importam, mas não definem tudo. O que realmente conta é a qualidade do produto. Expedition 33 podia ter sido mais um jogo perdido no mar de lançamentos, mas escolheu arriscar — e acertou em cheio.
Para a malta que gosta de RPGs por turnos, fica a gratidão. Afinal, nem sempre os conselhos mais sensatos são os que valem a pena seguir.


